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Diário de um cão
1º mês.
2 meses. esperando que minha nova "família humana" cuidasse de mim como ela o fizera.
4 meses. "irmãozinhos". Somos muito levados, eles me jogam uma bola e eu saio correndo atrás dela...
5 meses. onde eu deveria fazê-lo e como durmo na área de serviço não me agüentei!!!
6 meses. humana me ama. Quando estão comendo me convidam, o pátio é somente para mim e eu estou sempre cavando como os meus antepassados lobos, que escondiam a comida em buracos cavados na terra. Nunca me educam, seguramente porque nada faço de errado!
12 meses. esperavam. Que orgulhosos devem estar de mim!!!
13 meses. dele, eu o mordi, mas meus dentes estão muito fortes e machuquei-o sem querer. Depois do susto me prenderam, quase não posso me mexer nem tomar um pouco de sol. Dizem que sou ingrato e que vão me deixar em observação. Não entendo nada do que está acontecendo!
15 meses. vezes esquecem que tenho fome e sede e quando chove não tenho teto que me cubra.
16 meses. alegria e meu rabo parecia um molinete. Parece que vou passear com eles. Subimos no carro, atrelamos o carreto, percorremos um grande trecho e paramos. Abriram a porta e eu desci correndo, feliz, acreditando que era dia de passeio no campo. Não entendo porque fecharam a porta e se foram... "Esperem!!!", lati. "Esqueceram de mim!!!", lati bem alto. Corri atrás do carro com todas as minhas forças, minha angústia aumentou ao perceber que o carro se afastava e eles não paravam. Tinham me abandonado.
17 meses. algumas pessoas de bom coração me olham com tristeza e me dão algo para comer. Eu agradeço com um olhar do fundo de minha alma; quisera me adotassem, eu seria leal como ninguém. Porém eles apenas dizem "pobre cãozinho, deve estar perdido”.
18 meses. perto e alguns deles, dando risadas, atiraram pedras em mim "para ver quem tinha melhor pontaria". Uma pedra atingiu um dos meus olhos e desde então não enxergo mais com ele.
19 meses. estou muito fraco, com o aspecto bem mudado e perdi meu olho, as pessoas me tratam a pontapés quando pretendo me deitar numa sombra.
20 meses. compreendi, me puseram num lugar “seguro” chamado sarjeta. Nunca vou me esquecer do olhar de satisfação do motorista; antes tivesse me matado, porém só me deixou descadeirado. A dor foi terrível, minhas patas traseiras não se mexiam e com bastante dificuldade fui me arrastando até uma moita ali perto. Já faz 10 dias que estou sem comer debaixo de sol, chuva e frio. Não posso me mover, a dor continua insuportável. Sinto-me muito mal, estou num lugar úmido e parece que meu pelo está caindo.
inconsciente, de repente uma estranha força me faz abrir os olhos, a doçura de uma voz me fez reagir. "Pobre cãozinho, veja como te deixaram", disse. Junto com a dona daquela voz doce estava um senhor de roupa branca. Ele me examinou e falou: "Sinto muito senhora, mas esse cão já não tem remédio, o melhor é que deixe de sofrer." A gentil mulher consentiu com os olhos cheios de lágrimas. Do jeito que pude, abanei o rabo olhando para ela em agradecimento por me ajudar a descansar. Senti somente a picada de uma injeção e pensando em porque nasci se ninguém me queria, dormi para sempre ali naquele lugar. |